Dead Space 3

Terror a dois

O que é preciso para fazer um bom jogo de terror? Embora não haja uma fórmula exata para criar a atmosfera ideal, a Visceral Games e a Electronic Arts parecem ter encontrado o caminho do sucesso com a série Dead Space. Os dois primeiros jogos mostraram que é possível criar um clima tenso sem deixar a ação de lado, dando vida a uma das franquias mais assustadoras desta geração. Mas será que essa experiência vai se repetir?

Quando Dead Space 3 foi anunciado, muita gente torceu o nariz ao ver que um modo cooperativo havia sido adicionado à campanha. Afinal, como o terror que nos conquistou nos dois últimos títulos iria se repetir com alguém ao nosso lado? Por mais que tentássemos ser otimistas, a adição de um companheiro ressuscitou o fantasma de Resident Evil e sua “evolução” de Survival Horror para um shooter. Mas será que a saga de Isaac Clarke vai ser pelo mesmo caminho?

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Mais que um “AAA”

Se esse é seu medo com Dead Space 3, o produtor do game garante que não há o que temer. Segundo Steve Papoutsis, a ideia de reformular a série com a adição do multiplayer na campanha principal não vai alterar aquilo que fez da franquia um enorme sucesso. Na verdade, ele garante que isso vai apenas engrandecer e melhorar aquele universo ainda mais, quebrando as barreiras dos blockbusters atuais. Tanto que a própria desenvolvedora já considera um título um “AAAA”, ou seja, um projeto ambicioso e muito maior do que aqueles que eles fizeram até agora.

Para isso, no entanto, foi preciso traçar uma linha bem definida sobre o que poderia ser alterado e quais características deveriam permanecer imutáveis com a adição desse segundo personagem. Ainda que a Visceral afirme não trabalhar com estereótipos de gêneros, como terror e ação, Papoutsis garante que todas as peças usadas para construir a série Dead Space continuam incólumes.

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Isso faz com que o estúdio não se apegue a características de um tipo específico de jogo, mas àquilo que é necessário para criar uma boa sequência. Como aponta o produtor, o segredo está exatamente naquilo que todos os fãs adoram e presenciaram nos títulos anteriores: a atmosfera intensa e pesada, uma narrativa abrangente e uma dose de ação empolgante — tudo isso temperado com doses exageradas de terror, tensão e luta por sobrevivência.

Em Dead Space 3, contudo, teremos uma pequena diferença nessa equação. Somado a tudo isso, a Visceral preparou um multiplayer cooperativo que muita gente acredita não combinar com o clima pesado que a trama da série apresenta. Afinal, como manter a mesma essência quando o foco na solidão e no desamparo pode simplesmente sumir?

Marcas de guerra

Faltando pouco menos de três meses para o lançamento do game, não é segredo para ninguém que a grande novidade é a estreia de John Carver, um ex-soldado do governo da Terra que se alia a Isaac Clarke na luta contra os Unitologistas após sua família ter sido morta por Necromorphs.

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O ponto é que, como Papoutsis aponta, o personagem é muito mais do que apenas um companheiro para Isaac. Mais do que simplesmente ajudá-lo a combater os “zumbis do espaço”, ele possui seus próprios dilemas e demônios interiores. Desde o princípio, ele foi construído como alguém complexo e com uma importância enorme para toda a trama — tanto que sua personalidade está sendo trabalhada em outras mídias, como nas histórias em quadrinhos.

Mas o grande segredo da produtora para fazer com que um modo cooperativo faça sentido dentro da proposta da série é colocar esse segundo personagem como a origem de algumas das situações assustadoras que os jogadores vão encontrar. Para isso, a Visceral preparou experiências diferentes dependendo de quantas pessoas estão participando da história.

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Caso você seja alguém que prefere seguir sua jornada sem ninguém ao seu lado, saiba que a boa e velha atmosfera claustrofóbica dos jogos anteriores estará de volta, sem nenhuma grande alteração em sua essência. As situações de tensão com base na solidão voltam a se repetir e os fãs conservadores não terão do que reclamar.

Por outro lado, as coisas mudam consideravelmente de figura quando Carver entra em cena. Não que isso signifique que o medo dará lugar à ação desenfreada, mas o modo cooperativo oferece um tipo diferente de experiência que somente quem estiver ao lado de um amigo vai poder experimentar.

Mente alucinada, perigo real

Ver sua mulher e seu filho serem mortos por Necromorphs não foi a única tragédia na vida do soldado. Juntamente com tudo isso, ele ainda teve a infelicidade de entrar em contato com o Marker, o que faz com que ele carregue uma série de consequências por toda a sua vida — principalmente psiquiátricas.

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A principal delas, como já vimos nos jogos anteriores, é a alucinação. Isso faz com que sua mente crie grandes armadilhas ao longo de todo o jogo, gerando situações que somente quem avançar pelo modo cooperativo vai viver. Segundo Papoutsis, o multiplayer consegue expandir a história e inserir sequências não existentes no single player. Isso não significa, porém, que quem for jogar sozinho vai ser prejudicado, já que o desenvolvimento da história e seu final são os mesmos para todos. O que muda é o que acontece no meio dessa jornada.

Tudo isso porque as alucinações de Carver têm um peso muito grande dentro da jogabilidade. Quem estiver controlando-o vai se deparar com cenas e inimigos que não aparecerão na tela de Isaac, criando experiências diferenciadas.

Em uma demonstração testada pelo site VG24/7, os jogadores se depararam com uma sala aparentemente vazia. No entanto, para o soldado, o local reservava a aparição de bonecas fantasmagóricas que se comportam como uma versão macabra de seu filho morto. É claro que ele não reage bem a isso e começa a disparar contra as criaturas — tudo isso enquanto quem está comandando Isaac fica sem entender o que está acontecendo.

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O maior problema é que as alucinações não têm hora para chegar, podendo afetar o personagem a qualquer momento, incluindo naqueles em que ele precisa estar atento ao seu redor. Em determinado ponto, por exemplo, Clarke precisa enfrentar um grupo de Necromorphs enquanto Carver tenta lutar por sua própria sanidade.

Para Papoutsis, é isso que faz com que o modo cooperativo de Dead Space 3 seja tão diferente do que outros títulos fazem. Em vez de ampliar a ação, ele serve para deixar a agonia da incerteza ainda maior, criando uma variação da atmosfera que vimos nos jogos anteriores. Embora ainda seja muito cedo para fazer qualquer afirmação sobre a qualidade do game, a solução encontrada pela Visceral é promissora e pode reinventar a forma com que a jogatina cooperativa interfere na experiência.

No limite

Como se não bastasse diminuir as dúvidas dos fãs, o estúdio ainda promete trazer algo ainda mais grandioso que seus antecessores e outros jogos. Para dar conta de tudo isso, o produtor garante que teremos uma trama extensa e voltada exatamente para fazer com que o jogador tenha vontade de revisitar aquele mundo mesmo após ter finalizado o modo single player. De acordo com Papoutsis, será a campanha mais longa de toda a série.

Ele também garante que os jogadores não terão do que reclamar da parte visual, tanto que, segundo ele, uma das metas da equipe de desenvolvimento é fazer com que Dead Space 3 seja lembrado como um dos títulos que levou os consoles ao limite.

Fonte: VG24/7GamespotNeoGAFPlayStation Blog

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