Introduções interativas: jogando "antes do game começar"

Os jogos de video game têm utilizado um padrão razoavelmente fixo para se apresentar há uns bons anos já. Basicamente, ao pressionar o seu botão “Start” em um jogo de aventura ou RPG (ou qualquer outra coisa que traga um mínimo de história), você mais ou menos espera que surja na tela uma longa animação, que servirá como uma espécie de cartão de entrada para o que é reservado para as próximas horas da sua vida.
Aliás, é até mesmo possível elencar alguns títulos particularmente bem sucedidos nessa apresentação inicial — conforme você deve ter conferido em especial anterior aqui no Baixaki Jogos.
Entretanto, nem todos os jogos parecem respeitar esse padrão — digamos, nem todos os títulos além dos de corrida ou luta. Senão, basta pensar, por exemplo, em Batman: Arkham Asylum. Quem já se aventurou pelo excelente renascimento do Homem Morcego orquestrado pela desenvolvedora Rocksteady deve ter percebido que o game escolhe um formato razoavelmente distinto para introduzi-lo na insanidade da história.
Embora não abra mão de um rápido vídeo introdutório, uma considerável parte da apresentação do jogo ocorre enquanto você, o jogador, ativamente controla Batman enquanto o herói escolta o seu algoz até as profundezas do supermanicômio. Enquanto anda, você pode olhar ao redor, acompanhar alguns diálogos e, não menos importante, criar expectativa sobre o que poderia dar errado — o que, dada a natureza do lugar, poderia ser praticamente qualquer coisa.

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É claro que Arkham Asylum não é o único a se apresentar de forma genuína. De fato, nem sequer é o primeiro. Antes dele, BioShock já havia apresentado os delírios messiânicos de Andrew Ryan em um tour através da recém-descoberta Rapture, Dead Space já havia dado frio na espinha em sua aproximação à gigantesca USG Ishimura — fazendo com que você se perguntasse “O que diabos houve por aqui?” — e, voltando ainda mais no tempo, Half-Life já havia apresentado seu palco em um inovador tour interativo.
Enfim, é fácil perceber que nem todo jogo acaba utilizando a saída fácil de incluir uma animação inicial, catapultando-o direto para a ação em seguida. Quer dizer, é possível ser criativo, certo? Se não, basta conferir alguns bons exemplos abaixo.
 
Além da animação inicial…É possível ser criativo ao apresentar um jogo

  • Uncharted 2: Among Thieves

As primeiras cenas de Uncharted 2: Among Thieves conseguem ser simultaneamente inovadoras e adequadas ao clima do jogo. A princípio, a única coisa que você sabe é: “Estou sentado em um vagão destroçado, “é sangue, muito sangue, e é meu!”. Bem, quem diria que o dito vagão não estaria propriamente na horizontal? O que se segue é bastante claro: seja rápido, ou a história vai acabar de forma bastante prematura.

  • Batman: Arkham Asylum

Conforme dito anteriormente, Batman: Arkham Asylum é um dos melhores exemplos de que é possível utilizar expedientes diferentes na hora de apresentar um novo jogo. Sim, o Coringa foi capturado, mas algo não parece correto… Talvez o melhor seja acompanhá-lo até sua cela exclusiva dentro do Hospício Arkham, não? Durante o trajeto, você ainda pode ouvir coisas como “Eu preferia a inspeção de cavidades, era muito mais… Pessoal”. É claro que nem tudo termina como deveria.

  • BioShock

“Eu escolhi algo diferente. Eu escolhi o impossível. Eu escolhi Rapture!” (Andrew Ryan)
Com essa frase, o visionário cientista por trás da cidade submarina de Rapture apresenta seu conceito: um lugar livre de “deuses e reis”, nos quais o ser humano pudesse exercer todo o seu potencial, livre das amarras da moral e de qualquer tipo de ética capenga — algo um tanto intangível, conforme poderia afirmar qualquer um que tenha encontrado um Splicer pela frente. Mas é claro: você provavelmente não teria como saber disso enquanto buscava salvamento em alto mar.

  • Fallout 3

Fallout 3 tem provavelmente uma das introduções interativas mais geniais e diferenciadas da atual geração de games. Não, nós não estamos falando do trecho inicial que gostaria de “Iniciar uma chama no seu coração”, nem tampouco do famoso “A Guerra nunca muda”. Trata-se dos seus primeiros passos como bebê, segurando chocalhos em vez de Uzis, e aprendendo desde o início como as coisas funcionam nas terras devastadas. Para complementar a experiência, seu pai é o ator Liam Neeson.

  • Dead Space

Embora fique sentado na sua cadeira, você, o ilustre engenheiro Isaac Clarke, pode olhar livremente em volta enquanto a sua espaçonave se aproxima da colossal USG Ishimura, de onde partiu um sinal de socorro. De fato, é impressionante como uma cena inicial relativamente simples consegue fazer um diferencial fundamental para o clima do jogo, desde as primeiras suposições dos tripulantes — o que terá acontecido? — até o difícil aporte.

  • Half-Life

Impossível pensar em formas alternativas de apresentar uma nova trama sem citar Half-Life. Afinal, qualquer um com alguns anos a mais nas costas deve se lembrar do tour inicial feito por Gordon Freeman. Nada de vídeos, só algumas informações esporádicas e os primeiros vislumbres de um lugar que pode facilmente se transformar na sua tumba.

  • Half-Life 2

Half-Life 2 utiliza uma forma de introdução bastante semelhante à do seu antecessor. O seu palco agora é a fictícia Cidade 17. Sim, uma conglomerado multidimensional tem transformado o planeta Terra em um lugar bem pouco seguro… Mas por enquanto, apenas procure as suas acomodações.

  • Out of this World

Trata-se de um verdadeiro clássico. Out of this World foi lançado para Super Nes e PC no início da década de 90, trazendo um início bastante diferente para os padrões da época. Basicamente, caso esperasse as animações terminar para começar a controlar o seu personagem, você simplesmente… Morreria. Pois é, quem diria que era preciso nadar até a superfície? É praticamente impossível encontrar alguém que não tenha sido enganado pelo menos uma vez.

  • Portal

Não há história, não há maiores introduções. O início de Portal apresenta a originalidade que vai permear todo o jogo. Você está preso em uma cela especial, e acaba de saber que será utilizado como objeto de estudo por uma inteligência artificial obviamente desequilibrada. Bem, a menos que um bom pedaço de bolo seja o suficiente… O melhor é tentar descobrir o que está havendo.

  • Portal 2

Portal 2 consegue se manter tão surpreendente quanto o seu antecessor, e também logo no início. Exercícios físicos… O que é arte… Prepare-se para evacuação de emergência! Ainda bem que há ajuda na forma de um pronunciado sotaque inglês, não?

Enfim, a lista é longa, e realmente não são poucos os jogos que colocam você, o jogador, como protagonista — em vez de simplesmente largar um trecho cinematográfico gigantesco… O que não é necessariamente ruim, é claro.
E você, conhece algum game que se encaixe nesse conceito? Comente abaixo. O BJ quer conhecer a sua opinião.

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