Dungeon Siege III

As brechas no cerco trazem a derrocada do castelo

Dungeon Siege é uma das mais tradicionais franquias de RPG. A ação em cenários de fantasia medieval conquistou uma legião de fãs e rendeu até mesmo uma adaptação para os cinemas — “Em Nome do Rei”, estrelado por Jason Statham e dirigido pelo infame Uwe Boll.
Depois de uma carreira de sucesso nos computadores, a linha acabou ficando um pouco de lado, mas agora, sob a tutela da Obsidian Entertainment (a mesma de Fallout: New Vegas) a série desponta com uma nova edição e de quebra ainda faz sua estreia nos consoles de sétima geração. Mas será que os guerreiros do passado ainda tem o mesmo fôlego?

Aprovado

Aço, pólvora e magias
O maior destaque de Dungeon Siege III é, sem sombra de dúvida, o seu sistema de combate. Apesar de parecer um tanto limitado para os jogadores mais experientes, o esquema é simples, direto e extremamente eficiente; exatamente o que você espera de um hack ‘n’ slash.
Derrotar hordas inimigas é muito satisfatório, mesmo que a pilhagem — abundante — não seja exatamente recompensadora. Ademais, o título ainda conta com oponentes verdadeiramente desafiadores, porém, muito bem elaborados e que não frustram o jogador mesmo na dificuldade mais elevada.

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Os embates são definidos pela sua capacidade técnica e estratégica. Em nenhum momento você se sentirá trapaceado — como em outros títulos que portam chefes apelativos e propostas incoerentes.
De volta ao sistema de combate, podemos escolher um personagem dentre quatro possíveis — cada um de uma classe diferente, com poderes e habilidades distintas: Guerreiro, Caçadora, Acrobata ou Monge (uma espécie de bruxo steampunk).
Por fim, ainda temos uma mudança “estrutural” que pode até passar despercebida pela maioria, mas que realmente contribui para a apreciação da jogabilidade. O esquema de evolução conta com apenas nove habilidades, no entanto, o personagem pode receber vários aprimoramentos em outros “ramos” da árvore evolutiva.
Na prática, a Obsidian simplesmente removeu parte das habilidades e efeitos da árvore principal, deixando-os em uma parte independente. Todavia, essa simples mudança permite que você tenha uma visualização muito melhor de como seus pontos são gastos e utilizados pelo seu personagem.
 
Turba medieval
Outro ponto forte de Dungeon Siege III é o seu multiplayer com suporte para a te quatro jogadores simultâneos. Nas partidas offline você poderá embarcar em campanhas cooperativas com dois participantes, já no modo online a missão fica ainda mais caótica com quatro guerreiros ocupando a mesma tela.
Um dos pontos altos do jogo é poder atacar uma horda inimiga em um grupo de combatentes bem entrosados — mesmo que vocês tenham se conhecido alguns minutos atrás. Mesmo assim, ainda existem alguns problemas na dinâmica de jogo, mas abordaremos esses pontos mais adiante.

Reprovado

Anacrônico 
No quesito visual, Dungeon Siege III é um belo título, para um jogo lançado seis anos atrás. Porém, já estamos em 2011 e os gráficos atuais já podem entregar imagens muito superiores.

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apresentação em si é muito boa, a direção de arte rende cenários bem elaborados e efeitos mágicos interessantes. O mesmo também vale para a trilha sonora e dublagens, todos muito bem produzidos. Entretanto, fica a sensação de que estamos jogando algo com gráficos datados.

Quem pouco atrapalha, muito ajuda

A jogabilidade de Dungeon Siege III é seriamente debilitada nos computadores. A franquia que fez história no PC acabou focando seu desenvolvimento nos consoles de sétima geração — Xbox 360 e PlayStation 3 —, assim, os controles estão todos “mapeados” para facilitar o uso dos controladores das plataformas caseiras.
Todavia, esses comandos “simplificados” não foram bem traduzidos para o PC e alguns elementos parecem “desajeitados”. O controle da movimentação é particularmente horrível, haja vista que as teclas W e S comandam movimentos para frente e para trás, enquanto que os botões A e D apenas giram a câmera.
 
Não se esqueçam de mim 

O multiplayer cooperativo é uma excelente adição ao jogo, no entanto, ainda reserva alguns problemas técnicos que realmente prejudicam a apreciação final do título. Um bom exemplo é a câmera que não acompanha o seu personagem.

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A câmera é fixa e os jogadores não podem explorar o cenário livremente, pois ficam restringidos ao ângulo da tela. Assim, não é difícil ver personagens ficarem presos em encruzilhadas por conta da “falta” de tela, algo que também pode ocasionar algumas mortes acidentais. Assim, a comunicação entre os jogadores é essencial, para que ninguém fique para trás.
Outro ponto negativo é a impossibilidade de “transportar” o seu personagem entre as partidas single player e multiplayer. Cada campanha deve ser jogada com um herói diferente, ou seja, quaisquer habilidades e equipamentos adquiridos em um modo ficam restritos ao “save” em questão.

Vale a pena?

Dungeon Siege III tem um apelo limitado. Mesmo não sendo um jogo ruim, o título deixa muito a desejar e realmente só agrada aos fãs mais genuínos da série.
A campanha é relativamente curta para os padrões do gênero, mas a possibilidade de encarar os desafios em partidas cooperativas é um grande adicional. Além disso, a edição para os consoles conta com uma jogabilidade bem afiada, o que não se reflete nos computadores.
Os visuais ultrapassados são outro problema, no entanto, a direção de arte consegue superar boa parte das limitações técnicas. No final das contas, Dungeon Siege III é um jogo mediano, mas que decepciona por conta da sua origem nobre — haja vista que os títulos anteriores da franquia foram muito bem recebidos.

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