Repoussé

Sinestesia digital

Child Of Eden foi apresentado durante a última E3 e com toda a comoção da feira acabou passando meio despercebido por vários jogadores; que chegaram a pensar que se tratava de um mero Shooter para a XBLA e PSN. A nova produção de Tetsuya Mizuguchi — presidente da Q Entertainment e criador de Rez, Lumines e Space Channel 5 — promete ser algo muito maior do que um jogo, transformando-se em uma verdadeira experiência multissensorial.
O título terá suporte para o Kinect e Move e promete misturar poesia, música e computação gráfica em um jogo diferente de tudo que você já “sentiu”. Isso mesmo, a palavra de ordem é sensação. Em Child of Eden, o criador japonês pretende levar o jogador para uma jornada conceitual, na qual o seu corpo (e todos seus sentidos) estarão integrados com a ação do jogo.
Img_normalSEGA Rally Championship foi a primeira empreitada de Tetsuya Mizuguchi, que logo pode dar asas às suas pretensões artísticas e experimentações musicais com o caricato Space Channel 5, no entanto, foi com o Rez que o desenvolvedor realmente mostrou toda sua habilidade. Agora, o presidente da Q Entertainment quer criar a experiência musical interativa definitiva.
O diretor do jogo explica que dez anos atrás, quando ele criou Rez, ele já tinha em mente o que seria Child of Eden. Todavia, as limitações técnicas do PS2 impossibilitaram a concretização da sua visão, entretanto, agora com os gráficos em alta definição, som 5.1 e os novos controles com captura de movimento, seu sonho pode finalmente virar realidade.
Tetsuya Mizuguchi quer criar um mundo de cores e sons, uma orquestra digital da qual você pode fazer parte. Os conceitos são os mesmos de Rez, mas elevados à última potência. Para você ter uma ideia da escala do projeto, o escritório da equipe de desenvolvimento, em Tóquio, abriga mais de mil esboços de arte conceitual, três criados por Takashi Ishihara.
Enfim, eis a continuação espiritual de Rez. Nunca o termo foi tão bem empregado, afinal, a equipe é praticamente a mesma e Tetsuya Mizuguchi afirma que suas obras são fontes de inspiração para novos projetos. Além disso, a dinâmica e toda a estrutura de jogo são análogas, porém, dessa vez, a distribuição ficará por conta da Ubisoft, em vez da SEGA.


Filha das estrelas
O objetivo em Child of Eden é salvar o Projeto Lumi — que estava próximo da conclusão quando um vírus atacou o sistema. Quando o Projeto Lumi estiver concluído, ele será capaz de reproduzir uma personalidade humana dentro de Eden, a inteligência artificial que aparece em Rez.
O Projeto Lumi é na verdade uma garota de 18 anos nascida no espaço no dia 11 de setembro de 2037. Lumi é a “única” integrante do Genki Rockets — o projeto musical conceitual coordenado por Tetsuya Mizuguchi.
A jogabilidade é relativamente simples; com movimentos das mãos você “marca” e atira em vários alvos que surgem na tela. Na pratica, você está jogando um Rail Shooter, no qual ação está intimamente ligada com a música e as imagens.

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Poesia virtual
O desenvolvimento de Child of Eden começou com um poema de 40 páginas. Tetsuya Mizuguchi não sabia como explicar seu conceito de sinestesia digital, sons orgânicos e texturas móveis, então resolveu escrever um poema. Todos os funcionários da Q Entertainment leram e destrincharam cada estrofe e, das páginas desse poema, saíram a base para a música e todo o resto do jogo.
Assim, ficou claro para Tetsuya Mizuguchi que a música do jogo deveria passar diretamente pelo Genki Rockets — sua banda experimental. Além do som conceitual, o grupo também emprestou toda a “mitologia” de Lumi e sua jornada sideral em busca de humanidade.
Img_normalTudo no jogo inspira esperança e felicidade (essa é a ideia de Tetsuya Mizuguchi) e isso é entregue por meio de designs simplesmente estonteantes, que são capazes de provocar sensações e evocar sentimentos em qualquer jogador. Enquanto Rez se ocupou de temas científicos e tecnológicos, Child of Eden trata de coisas abstratas, próprias da natureza humana; os estágios são interpretações audiovisuais de sentimentos e conceitos.
De acordo com os devaneios digitais da equipe, o Eden do jogo é na verdade a internet do futuro, um mundo virtual, porém, tangível. O sistema serve como uma espécie de “museu” da Terra, um arquivo que mostra para os cidadãos cósmicos a história e as verdadeiras ambições da humanidade.
Nesse futuro, um grupo de cientistas resolve imbuir a rede com uma consciência, a Lumi do Genki Rockets. No entanto, antes que o projeto seja concluído, um vírus invade o sistema de ameaça todo o Eden. Com esse pano de fundo, Child of Eden foca sua ação na purificação dos arquivos da rede, limpando as manchas deixadas pelo vírus e restaurando a consciência de Lumi dentro desse espaço virtual.
Conforme você avança pelos níveis, perceberá que Lumi está se “regenerando” e sua personalidade aflorará a cada instante. Tudo isso transparece em um verdadeiro show de imagens e sons, que despontam na tela em perfeita sincronia.
Corpo e mente
Se o conceito do jogo é tão orgânico, nada mais natural do que utilizar o próprio jogador como controle. Assim, o uso do Move e Kinect não parece apenas adequado ao jogo, mas essencial para a criação de Child of Eden — apesar de ter sido concebido sem qualquer tipo de suporte para os controles com captura de movimento.
Os comandos são simples e a integração do jogador é impressionante. Gestos com a mão direita permitem que você selecione alvos e dispare contra eles na tela. A mão esquerda dispara um modo de tiro alternativo, enquanto os dois braços levantados ao mesmo tempo ativa os especiais.
Yoshio Inoue, programador responsável pela introdução do Kinect, explica que a equipe está evoluindo suas ideias constantemente. As primeiras tentativas de controle eram diferentes das que já estão em funcionamento. Em determinado momento, o time chegou a considerar a possibilidade de utilizar todo o corpo para controlar os disparos e até mesmo o posicionamento da câmera.
“REZonante”
Rez é o tijolo na base de Child of Eden. Não se trata de toda a construção, mas sem ele, tudo viria abaixo. O título conquistou um seleto, mas fervoroso, grupo de fãs que elevaram o título ao status de jogo Cult.
Agora, Child of Eden deve trilhar um caminho semelhante, porém, com um apelo muito maior do que seu predecessor. A simples introdução de suporte para os Kinect e Move deve expandir as fronteiras do jogo que certamente levantará o interesse tanto de jogadores casuais como o dos hardcores.
Child of Eden será lançado para o Xbox 360 e PlayStation 3. A edição para o console da Microsoft chega antes, no dia 14 de junho, já a versão para o PS3 ainda não tem data definida, mas é esperado para setembro deste ano.
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