Venetica

Uma protagonista forte… E é só!

Até que ponto um protagonista forte consegue levar um título nas costas? Quer dizer, caso o vingativo, poderoso e temperamental Kratos trouxesse consigo um jogo cheio de arestas por polir,glitches e bugs os mais variados… Alguém realmente se interessaria por God of War? Bem, a questão levantada por Venetica é bastante semelhante.
Por trás do título desenvolvido pela semiobscura Deck 13, há a bela Scarlett, espécie de Ofélia caricata em uma encarnação para os video gamesque tem sua existência provinciana chacoalhada pelo mais completo caos, conforme o seu pequeno e humilde vilarejo é subitamente reduzido a cinzas e escombros por uma legião de assassinos sem identidade — literalmente, conforme se verá mais adiante.
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Como se a destruição completa da sua terra natal não fosse suficiente, Scarlett ainda tem que assistir à morte do seu futuro marido, um capitão da guarda que acaba derrubado por uma flecha ao tentar conter a ameaça. Dessa forma, em prantos, desesperada, com o vestido em trapos e com um atiçador de carvão nas mãos, a moça se levanta e começa a lutar epicamente pela própria sobrevivência.
Só que há um problema aqui: o sofrimento da jovem Scarlett não consegue se maior do que o do próprio jogo. De um ponto de vista técnico, salta à vista logo nas primeira animações algumas faltas gritantes de textura, bem como um efeito de fogo terrivelmente datado e animações faciais da época em que Virtua Fighter foi lançado para Saturno.
Quer dizer, quem realmente consegue se concentrar na ruína da pobre moça diante de um desfile interminável de gráficos quebrados embalado por uma taxa de atualização mais inconstante que o próprio destino da protagonista?
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Por outro lado, uma rápida análise da história de Venetica revela uma impressão que se mantém durante todo o jogo: embora utilize clichês dramáticos aprovados há séculos pela dramaturgia, a Deck 13 não foi particularmente feliz ao contar a história da sua heroína, deixando para trás uma miríade de pontas soltas e casos mal explicados. Paralelamente, Venetica ainda é sustentado por um sistema de combates descerebrado e cheio de falhas, o qual serve para dar cabo de uma profusão de inimigos idênticos.
Ok, talvez nem tudo se perca aqui. Há, de fato, o que se poderia chamar de ensaios de boas escolhas. Afinal, o jogo é permeado de escolhas morais desde o seu início, e mesmo a história da dama inflada por uma ira justificada parece nunca ficar velha… Enfim, vamos aos detalhes.
Aprovado
De qualquer forma, um épico
A impressão geral deixada pela trama de Venetica é a de uma boa trama não muito bem aproveitada. A história aqui tem início de um século XVI no qual a Morte possui uma representação física no mundo dos vivos, a qual é deixada a cargo de uma elite denominada Corpus, que deve, a cada geração, escolher um novo representante físico para a entidade.


Entretanto, algo parece não ter saído exatamente como o esperado e, na época em que o jogo se passa, o conselho escolheu acidentalmente um terrível mago necromante que pretende trazer morte e destruição para todo o mundo conhecido — ou seja, para a Europa.
Mas eis que surge então Scarlett, moça humilde e aparentemente desprovida de talentos bélicos, que se descobre filha da própria Morte. A conclusão é tão óbvia quanto todo bom épico: Scarlett é a única capaz de derrotar o terrível mago, embora, para isso, tenha que cultivar suas habilidades de combate e seu conhecimento de magias arcanas. O resto, como se diz, é história.
Escolhas morais
Opções de caminhos moralmente orientados de fato não são nenhuma novidade nos games. Entretanto, essa faculdade de jogar — mesmo que apenas durante alguns poucos momentos — as rédeas da trama nas mãos do jogador parece jamais perder o interesse.
De fato, no controle de Scarlett, caberá a você definir que espécie de heroína deve emergir do durante o jogo. Justa? Misericordiosa? Mercenária? Eis um bom exemplo: logo no início da trama, a protagonista é emboscada por aldeões que afirma ser ela o motivo de toda a destruição causada na pequena vila.
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Após morrer e miraculosamente e ressuscitar — afinal, a moça é filha da própria Morte —, a dupla implora por misericórdia, e as seguintes opções são lançadas: misericórdia ou justiça? “Ergam suas espadas e morram como homens!”, dispara a moça em sua versão justiceira. Ao final, o que lhe espera é uma conclusão à altura da orientação moral da sua heroína, o que, é claro, ajuda a desviar um pouco os olhos de questões narrativas mais… Problemáticas.
Reprovado
Leon? Quem é Leon?!
O que poderia ser apenas uma boa história em Venetica acaba mal das pernas pela mais pura e simples falta de coerência narrativa. Senão, basta conferir o background de Scarlett, todo ele composto de retalhos sem muita ligação. A moça foi criada por uma mãe adotiva que sequer aparece durante a destruição da vila.
Caso isso não seja suficiente, uma breve missão paralela revela algo que havia sido negligenciado durante todo o início do jogo: você tem um irmão que se chama Leon. Não sabia? Tudo bem. Pelo menos faça o favor de buscá-lo em algum lugar de um território tomado por assassinos. Enfim, talvez o melhor aqui seja se ocupar de cada parte da história separadamente… Sem esperar muito do conjunto final.
Bugs, glitches, quebras, travamentos etc… Etc…
Img_normalVenetica poderia facilmente se tornar um objeto de análise acadêmica em algum curso voltado para a programação. Isso porque a Deck 13 parece ter incluído praticamente todos os defeitos gráficos possíveis em um único título mal-acabado.
O abre-alas? Uma taxa de atualização terrível que bem poderia se passar por uma projeção de slides. Mas espere, as coisas ficam ainda mais medonhas, conforme Venetica exibe expressões faciais dignas de jogos em 3D de meados dos anos 90, quebras gráficas as mais variadas e provavelmente um dos piores efeito de fogo jamais criados para um video game. E por aí vai.
Missões secundárias genéricas
Incluir missões que se desviem da história principal virou quase um mandamento na atual geração de games, sobretudo em RPGs. Dessa forma, sim, Venetica inclui objetivos secundários de natureza variada. O problema é que esses pequenos retalhos, além de não acrescentarem praticamente nada à vertente principal da história, ainda são francamente tediosas, como motivos e objetivos igualmente descartáveis.
Filhos de uma chocadeira medieval
Os terríveis assassinos responsáveis pela destruição do vilarejo de Scarlett têm tanta personalidade quanto sujeitos mascarados idênticos poderiam ter. Na verdade, o mesmo vale para praticamente qualquer vilão dentro do universo pedregoso de Venetica. São sujeitos praticamente idênticos e que atacam quase sempre da mesma forma.
Espadada, espadada, gira, espadada…
Mesmo com poderes arcanos, habilidades bélicas evoluídas e um bom armamento medieval, os combates em Venetica ainda são muito pouco estimulantes e, via de regra, descerebrados. Há alguns poucos combos, magias que demoram tempo demais para recarregar — transformando os efeitos mágicos em pura perfumaria — e um sistema de bloqueios no mínimo punitivo — há umbloqueio específico para cada arma! Enfim, se puder, evite o confronto.
Vale a pena?
Ok, sem meias palavras aqui: Venetica apenas poderia ser indicado para um jogador absolutamente viciado em RPGs e que, além disso, já tivesse visitado todos os títulos de maior expressão da atual geração.
Mesmo esboçando uma história épica envolvente, a Deck 13 acaba distribuindo uma quantidade tão grande de erros gráficos e pontas soltas na narrativa, que qualquer possível gosto que se poderia ter pelo drama da sofredora Scarlett acaba completamente esquecido.
Conjuntamente, existem ainda inimigos genéricos, texturas completamente datadas e um sistema de combates que simplesmente não convence. Enfim, caso você não seja masoquista ou completamente fanático por dramalhões medievais, o melhor mesmo é passar longe de Venetica.
Gáficos: 35 Jogabilidade: 40 Áudio: 45 Diversão: 50






50


  • GráficosNota 35
  • JogabilidadeNota 40
  • ÁudioNota 45
  • DiversãoNota

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