El Shaddai: Ascension of the Metatron

Quando pensamos em um jogo de Hack ‘n’ Slash, já temos um conceito mais ou menos formado em nossa mente. É quase certo de que o herói será um brutamonte capaz de eliminar qualquer oponente à sua frente, como Kratos, de God of War, ou então um personagem extremamente ágil e mortal, como é o caso de Ryu Hayabusa ou a bruxa Bayonetta, de Ninja Gaiden e Bayonetta, respectivamente.
E quanto à história? Normalmente, ela fica apenas como desculpa para toda a destruição. Poucas vezes temos algo marcante ou inovador, resumindo-se apenas à eterna sede por vingança.
Felizmente, existem alguns casos à parte. E El Shaddai: Ascension of the Metatron, a próxima promessa da Ignition Entertainment, parece ser um deles. Imagine um jogo do gênero Hack ‘n’ Slash que traz como pano de fundo uma trama religiosa envolvendo Deus, Lúcifer e vários anjos. Parece incompatível, mas é aí que você se surpreende.
A versão demonstrativa de El Shaddai já está disponível na Xbox LIVE japonesa. Nós não perdemos tempo e fomos logo conferir se o título realmente tem algo de bom a oferecer. Felizmente, além de um conceito diferente e umas roupas bacanas, El Shaddai traz algumas propostas inovadoras unidas a uma jogabilidade fluída, como todo fã do gênero gosta.
Entendendo a história
Certamente, a trama de El Shaddai é um dos elementos mais interessantes e notáveis do game. A história é baseada nos Manuscritos do Mar Morto, uma série de documentos escritos entre o século III a.C. e o primeiro século depois de Cristo. Como se pode imaginar, o game traz uma bagagem religiosa bem forte, conforme notamos no roteiro.
Mas, qual é toda a causa para a pancadaria de El Shaddai? Essencialmente, tudo começa quando um grupo de anjos de Deus, conhecidos como Grigori, ficou responsável em cuidar da raça humana. Contudo, esses seres decidiram virar as costas para o Paraíso, pois queriam simplesmente permanecer na Terra.
E é claro que essa decisão dos Grigori não agradou Deus. Com isso, a divindade suprema, ao lado do Consulado do Paraíso, decide acabar com toda a vida no mundo, desferindo uma enchente devastadora para punir de uma vez por todas os hereges. O fim do mundo? Quase, se não fosse por Lúcifer (aqui nomeado como Lucifel).
Sim, o anjo Lúcifer aparece no game como um ser ainda confiável, antes de trair de uma vez por todas o Paraíso e descer às profundezas do Inferno. Além disso, Lucifel salva a humanidade ao solicitar uma reconsideração para a decisão do Consulado. O anjo sugere que as divindades encontrem um humano de “espírito puro” para ajudar a destruir os anjos corruptos.
Esse humano abençoado é Enoch, o personagem controlado pelo jogador no game. Sua participação na demonstração inicia-se com um dos seres corruptos que devem ser purificados: Ezekiel. A figura feminina aparece nos céus e interfere no clima para dificultar a jornada de Enoch em busca da justiça divina. Em suma, podemos esperar por vários anjos corruptos com personalidades e habilidades diferentes, o que deve adicionar uma bela variedade ao título.
Partindo para a briga
Agora que você já sabe um pouco mais sobre a trama, chega a hora de comentar um pouco sobre o que pode ser visto na demonstração do game. Primeiramente, vale a pena ressaltar que a versão de degustação de El Shaddai está totalmente em inglês, mesmo que disponível apenas na Xbox LIVE japonesa.
Quem quiser, pode acessar o menu de opções — enquanto desfruta da tranquila trilha sonora do game — para alterar o áudio e as legendas. Felizmente, há a opção original para as dublagens, permitindo que os jogadores apreciem o game em japonês. Nas legendas, temos opções como inglês, espanhol, francês e alemão, mas nada de português.
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Depois de ajustar suas configurações nas opções, tudo que você tem a fazer é selecionar New Game. Antes do game iniciar, você também pode escolher o nível de dificuldade. A demonstração exibe apenas duas: Easy (fácil) e Normal. Um fato interessante é que na descrição do modo Fácil, o jogo indica a dificuldade para quem quer aproveitar apenas a história, livrando-se dos desafios mais intensos — uma prova de que a trama de El Shaddai realmente é significante e merece ser conferida por si só.
Depois de escolher seu nível de dificuldade, o jogador é apresentado a uma espécie de manual de instruções em tela. Aqui, você confere os comandos básicos: para movimentar-se, o jogador utiliza o analógico esquerdo, enquanto o botão X é usado para atacar e o A para saltar. Com o RB, Enoch permanece na posição defensiva, impedindo que os oponentes acabem com sua vida.
Não se engane
À primeira vista, temos um jogo tipicamente Hack ‘n’ Slash. E, durante a jogatina, isso também é reforçado, afinal, você ataca utilizando apenas um botão e tem a chance de executar alguns combos de acordo com o ritmo e os modificadores acionados. Mas El Shaddai traz um conceito bem interessante e pertinente à proposta.
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Trata-se da purificação de armas, algo acionado por meio do botão LB. Mas como isso funciona? Essencialmente, Enoch é capaz de “roubar” as armas dos inimigos quando eles estiverem nocauteados — momento que pode ser facilmente identificado graças a uma aura azul que cerca os vilões.
Ao roubar as armas, Enoch tem a chance de purificá-las e então utilizá-las para acabar com os anjos corruptos. Na demonstração, temos dois tipos de armas diferentes. Uma delas é uma espécie de espada em formato de arco, que permite a Enoch desferir golpes poderosíssimos, seja em terra ou no ar.
Além da espada, Enoch também pode utilizar uma espécie de círculo mágico que oferece ataques com projéteis ao personagem. Essa arma é ideal para combates à longa distância, permitindo que o jogador ataque um ou vários inimigos sem precisar se aproximar.
Mas não pense que você poderá apenas atirar para todos os lados ou desferir espadadas sem qualquer estratégia. As armas capturadas dos anjos corruptos estão repletas de aura negativa. Com isso, após certo tempo de uso, você notará que elas começarão a escurecer. Isso indica que sua qualidade não é das melhores. E o que fazer para melhorá-las? Basta pressionar LB novamente para purificá-las e utilizar suas belezinhas com força total — mas, tome cuidado, pois nesse momento Enoch fica vulnerável.
Cada uma das armas conta com habilidades especiais únicas. Para acionar um golpe mais potente, o jogador pode pressionar e segurar o botão X, algo que resulta num ataque ainda mais devastador ou com um poder maior de alcance. O botão de defesa, RB, também serve como modificador. Ao mantê-lo pressionado, você pode apertar o botão X para um ataque diferente ou então o A para realizar um movimento evasivo.
Falando em movimentos evasivos, um dos elementos que sentimos falta em El Shaddai é um comando exclusivo para realizar movimentos ágeis de escapatória. Ao contrário de God of War, em que o jogador usa o analógico direito para escapar rapidamente, o título não oferece uma mecânica semelhante, dificultando um pouco os combates e atrapalhando o ritmo. Contudo, nada que um pouco de prática com a combinação RB + A não possa curar.
Mas, quando a coisa apertar, é bem provável que você sofra alguns danos razoáveis, já que nem sempre é possível desviar de tudo. Mesmo no modo Normal, o desafio de El Shaddai é bacana e você certamente terá de tentar mais uma vez após “morrer” em combate.
Mantendo a classe
Na realidade, a morte é um caso raro para Enoch — afinal, ele está a serviço de ninguém menos que o próprio Deus. Sendo assim, quando a armadura de Enoch for estraçalhada — algo que pode ser conferido visualmente — e o personagem não resistir aos ferimentos, você pode ressuscitá-lo em tempo real, pressionando rapidamente os botões RB, LB, A e X.
Sem dúvidas, um fator que contribui bastante para o ritmo do game, já que, desta maneira, não temos longas pausas. Depois de ressuscitado, o jogador retorna exatamente para o local onde faleceu, retomando o combate do momento em que parou. Fique atento e seja ágil, pois, se não conseguir reviver Enoch, terá de retornar ao último ponto de checagem (checkpoint).
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Além dos combates encontrados ao decorrer de seu caminho, o jogador também encara alguns oponentes em determinadas salas fechadas, ao melhor estilo RPG. Aqui, tudo que você tem de fazer é eliminar seus oponentes para poder retornar para a campanha e prosseguir em sua jornada. Obviamente, o desafio é maior, sendo focado apenas nos alvos e nas limitações do ambiente.
Fora os momentos de combate, El Shaddai também oferece alguns eventos típicos dos jogos de plataforma. Você terá de saltar sobre precipícios para alcançar locais de difícil acesso e até caminhará — literalmente — pelas nuvens. Uma alternativa bacana e que quebra um pouco o ritmo insano dos maçantes combates de qualquer Hack ‘n’ Slash.
E os gráficos?
Outro ponto chamativo de El Shaddai é o visual. À primeira vista, temos um game no estilo cel shade e que pode ser comparável ao Prince of Persia desta geração. E na prática? Bem, tecnicamente, os gráficos exibidos na demonstração não impressionam muito. Em nossa jogatina, até nos espantamos pela quantidade elevada de defeitos serrilhados no modelo do personagem, assim como o número baixo de polígonos nos modelos — o último chefe exibido é simplesmente ridículo.
Mas, em contraparte, temos uma direção de arte, digamos, psicodélica. As cores vibrantes na tela se contrastam com inimigos e precipícios obscuros. Além disso, tudo parece se movimentar constantemente, com nuvens, árvores e outros objetos passeando na tela como pinceladas em uma aquarela. É interessante, também, notar a mudança drástica na paleta de cores quando Ezekiel decide brincar com a noite e o dia, algo que também influencia na jogabilidade.
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Em suma, o visual de El Shaddai impressiona pelo seu estilo gráfico que, unido ao design de níveis, traz vários elementos diferentes para um gênero tão dominado por rochas, sangue e edifícios medievais.
Uma promessa?
El Shaddai nos surpreendeu. A demonstração do título nos permitiu passar quase uma hora ao lado do game. E, nesse período, notamos que a Ignition Entertainment tem várias cartas escondidas em sua manga. Temos um game que se desprende de vários padrões do Hack ‘n’ Slash, trazendo uma proposta tão ousada quanto à do excelente Bayonetta.
Resta esperar até o terceiro trimestre deste ano, data em que El Shaddai: Ascencion to the Metatron chega ao Xbox 360 e PlayStation 3. Fique ligado aqui no CentrodosGamesBr para mais informações!
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